Depois de algumas experiências, que, diga-se de passagem, não podem se considerar devastadoras e sôfregas, tinha finalmente aprendido. Talvez não tenha realmente sido por meio experimental e sim pelo teórico: o contato com algumas literaturas encorpadas, pesadas e de profundo teor filantrópico e analógico a tinha feito uma perfeita conformada, não acomodada, é importante que se diga. Tinha aprendido várias coisas, filosofando até no banho, debaixo da água queimante, tentando entender cada micro palavra e seu possível efeito ou interpretação.
Aprendeu muitas coisas. Uma delas foi colocar uma máscara para si mesma, fingindo que estava tudo bem, guardando divagações em sua lixeira mental, colocando um sorriso de reforço, por assim dizer. Isso a fazia se sentir dura, invicta, vencedora e infalível: já ajudava a sobreviver. Outra de suas muitas aprendizagens foi a conformação com as mudanças. Aprendeu, com certeza, com certas “Mary Rampion”, a romanceada e a real, que não se abate e não se chora com mudanças, e sim se adapta a elas, destemidamente, como se não fosse nada, não usando como incentivo um discurso do tipo “sansanesco”: “Trabalharei mais ainda”. Além disso, recentemente, aprendera a aceitar sua própria pessoa como principal obstáculo em sua vida.
“Agora você está feliz?” Pergunta feita por uma pessoa querida, ao que ela respondeu: “Feliz...não conheço ninguém que seja feliz. Satisfeitos, vários. Ninguém é plenamente feliz. A felicidade está muito acima de um conceito compreensivo, principalmente para seres como nós. A felicidade é a habilidade de lidar com este mundo com leveza, equilíbrio de todas as faculdades e, principalmente, a harmonia entre o discurso e a ação. Nada mais. O problema: não sou assim, nem conseguirei ser”.
Talvez realmente seja isso, vindo de alguma parte, de alguma teoria extraída de uma mente demente e possessiva.