Vento seco, ânimo enfarado, jardim enfermo. Mais algumas parcas lágrimas sendo desperdiçadas ao sabor das desilusões. Céu muito azul, de nuvens dispersas: contraste ao ente. Entidade primitiva, anacrônica, conceda-me o perdão! Descrição do ser: entropia espiritual e mental, debilidade física. Mais escassa do que a esperança, somente a palavra. Seio maternal, acolhedor, versado em julgamento criterioso da probidade alheia, conceda-me o perdão?
A andar um pouco mais- somente uma observação- o céu torna-se mais semelhante ao espírito do massacrado. São muitos os grilhões para pouca existência. Candidez, agravadora da impotência do massacrado, desaparece, pois não é bem vinda. Malogro, fique, para que alerte os sentidos.
Ainda a andar por esses estreitos e tortuosos caminhos, em algum momento, o ente é excluído, a luz pisca fracamente, não quer tornar acesa. Junto a ela, esvai-se também todo o ardor e, assim, definha cada parte do ser. Onde está aquela necessidade insopitável de soberania da vida sobre a exclusão límbica? Perdeu-se em alguma encosta, em algum vale, ou até mesmo naquele jardim mofino.
O Derrotado, ou o assim rotulado, ao final de seu percurso, somente ao final, baixa a cabeça, não por desistência, não por consentir seu rótulo; ele baixa para retirar os grilhões. Torna a erguer a cabeça e olha o céu, reflexo de seu espírito, assim todo despedaçado, assim todo calejado, assim todo com ar de tempestade encerrada. Ele olha o céu, ar pueril, assaz leve. O vento cálido beija sua face; experimenta a leveza por um “instante-já” (permitam-me este furto). É final de percurso.
Satisfações à Grei: tu és câncer moral, físico e espiritual e aquele a quem consideras um Derrotado, nessa restrita realidade terrena, essencialmente fátua, é, na verdade, um Vitorioso.