Às vezes dava raiva, ele pensava, passando a mão nos cabelos negros e grossos. Aquela neve caindo lá fora, dando um clima esquisito, como se estivesse em um daqueles filmes que se passam em cenários estranhos, com personagens e acontecimentos estranhos. Vê-la ali, sob o carvalho, tentando se proteger e segurando uma rosa na mão. Ele tinha uma vontade torturante de correr gritando, naquele frio cortante, mesmo que estivesse sem casaco, mesmo que estivesse nu, só para abraçá-la, dizer que a protegeria, dizer a ela que deixasse ser seu abrigo, seu refúgio. Queria beijá-la pra sempre, nunca mais soltar. Queria que a neve derretesse em seus cabelos enquanto ela entrelaçava com força os cabelos dele. Queria poder ser um ser só, juntamente com ela. Era uma coisa desesperadora. E vê-la ali, chorando, deixando seu rosto ser queimado pelo frio era simplesmente demais.
O que viram? Um louco atravessando o pátio, escorregando na neve, se espatifando no chão, levantando e gritando, gritando de felicidade, e, junto aos braços, sua maior jóia, seu maior tesouro. Traziam os lábios grudados, como se nunca fossem se soltar...