Se algum dia te esqueceres de quem és, me escreve uma carta;
Se algum dia te sentires só, convida-me para uma chávena.
Quero mais que tudo, que sintas abrigo no meu peito, que te deites, te levantes e sigas - apenas se extremamente necessário- mas, mesmo assim, perfures o tempo com lembranças.
Se hoje, nestas alturas, neste clima agradável, estiveres sentado, olhando alguma paisagem bonita, que te lembres e que sorrias sozinho, que guardes nosso tesouro. Mas, se amanhã, estiveres em outro lugar, olhando para outra paisagem, se não quiseres mais te lembrar do que passou, se tiver te causado alguma mágoa, prefiro que finjas que nunca existi, prefiro que extraias qualquer lembrança.
Se algum dia te sentires injustiçado, irritado, procura-me para uma conversa.
Se algum dia tu quiseres morar num descampado, de chão de feno, de córrego aos fundos, onde sinal de satélite nenhum pegue e te sentires demasiado sozinho e perdido, chama-me e me tem como certa;
Não te estranhes se me perdi na minha escola literária; acho que tenho licença para isso.
(...)
B1
Mas se um dia essa carta, essas lembranças não chegarem, entenderei: foi o tempo, inimigo de tudo e de todos.
Se quiseres me escrever, tem resposta e sentimentos como certos.
(...)
B2
Sim, podemos rolar no feno ou trigo, podemos beijar, podemos ver as folhas de outono caírem, podemos passar primaveras com brigas, invernos com amor; Podemos beliscar um ao outro, podemos abraçar, dar chutes e socos, ver nossos reflexos no milagre da vida, podemos viver em constantes arroubos domésticos, tudo isso... Não somo Lucy e Walter, nem Elinor e Quarles, nem Walter e Marjorie. Acho que deixamos de ser plurais, embora não tenha havido mutação completa; um pouco de singularidade é bom.
(...)
Se a teoria aplicada de Everett foi cruel demais, peço-te DESCULPAS. Não há outra maneira e, provavelmente, sabes disso. A verdade é que bolhas existem, sim, mas NÓS também existimos.
P.S: (PÓS-SCRIPTUM) A loucura é demais, a arrogância é de mentira, a fortaleza é de verdade-embora possa ruir de vez em quando-, o desprezo é falso, as mãos só não são expressivas em tamanho e... A frieza passa.